Sem resposta do Estado, movimento confirma que hospitais filantrópicos param no dia 27 de agosto
O dia 27 de agosto, próxima segunda-feira, vai ser de luto para a saúde gaúcha. Durante 24 horas, os mais de 240 hospitais filantrópicos vão paralisar as atividades, em protesto a falta de definição sobre a ampliação de recursos para o setor, responsável por 70% das internações pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no RS.
A confirmação sobre a mobilização aconteceu na tarde de hoje, 21, pelas entidades que integram o Movimento Saúde para os Hospitais, em encontro realizado na sede da Federação das Santas Casas, na Capital. De acordo com os integrantes do movimento, apenas os atendimentos de urgência e emergência vão ser realizados e vai ser mantida a assistência aos pacientes que já estão internados.
Caso os governos estadual e federal acenem com alguma proposta que contemple as reivindicações dos hospitais, médicos e trabalhadores da saúde, a paralisação vai ser suspensa.
Desde janeiro deste ano, as entidades buscam solução em encontros com Ministério e Secretaria Estadual da Saúde (SES).
Em mais de cinco encontros, incluindo audiência com o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, houve promessa de saídas.
O Movimento Saúde para os Hospitais alerta que os recursos previstos no novo modelo de gestão, criado pelo Ministério da Saúde, são insuficientes e só protelam solução para a crise. Seriam R$ 18 milhões anuais para o RS, que representam apenas 8,5% de aumento nos valores atuais (defasados em 82%) e beneficiam apenas 77 dos hospitais filantrópicos do Estado.
A tabela SUS reajustou, em média, apenas 33,7% em 12 anos, enquanto a inflação do setor hospitalar foi de quase 400%. A entidade afirma que convênios assinados nos últimos dias entre SES e hospitais são ilegais. Já foram solicitadas cópias dos contratos, pois não é confirmada parte dos estabelecimentos que a secretaria anuncia como inscritos na contratualização.
Uma medida judicial, obtida em ação da Federação das Santas Casas, na semana passada, suspendeu assinatura da contratualização de hospitais com o governo estadual.
Participam do Movimento a Federação dos Empregados em Empresas e Serviços de Saúde do RS (Feessers), 27 Sindisaúdes, Sindicato Médico do RS (SIMERS), Sindicato dos Hospitais Filantrópicos e Federação das Santas Casas, Federação dos Municípios do RS (Famurs), Conselho Estadual da Saúde, Conselho Regional de Medicina (Cremers) e Associação Brasileira de Usuários do SUS (Abrasus). OS NÚMEROS DA CRISE: • Os hospitais filantrópicos são responsáveis por 70,2% das internações do SUS. No restante do País, a média do setor é de 40%. São mais de 525 mil internações por ano; • No Estados, a rede filantrópica conta com 239 instituições, mais de 55 mil trabalhadores e 18 mil leitos do SUS; • Desde a implantação do Plano Real, os valores pagos pelo SUS subiram em média 37,3%. No mesmo período, a inflação hospitalar foi de 389% (dado de outubro de 2006); • Os hospitais recebem apenas R$ 55 de cada R$ 100 gastos na assistência a um paciente do SUS. O valor que deixa de ser custeado representa déficit de 81,8%. • Efeitos da crise: 13 hospitais fechados em 10 anos (11 nos últimos quatro anos) e fechamento de 2 mil leitos e de 10 mil postos de trabalho desde 2002. • Hoje, 17 hospitais estão sob ameaça de fechamento.