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06/07/2026 - Sindicato denuncia precarização e obstrução de fiscalização em unidades de atenção primária de Porto Alegre


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Comunicação Sindicato

O Sindisaúde-RS realizou, nesta segunda-feira, 06, uma série de visitas de fiscalização às Unidades Básicas de Saúde (UBS) de Porto Alegre para verificar as condições de trabalho durante o processo de transição para a nova administradora, o Instituto de Apoio a Gestão (IAG). O levantamento revelou um cenário de déficit de trabalhadores, ausência de equipamentos de identificação básica para os profissionais e tentativas de impedir a atuação sindical, políticos e profissionais de imprensa.

Na Clínica da Família Campo da Tuca, a equipe do sindicato flagrou uma situação crítica: a unidade operava com apenas uma técnica de enfermagem e duas profissionais em treinamento, quando o quadro exigiria doze trabalhadoras para o atendimento da demanda. Durante a permanência no local, o fluxo de pacientes cresceu de forma exponencial, evidenciando a sobrecarga.

Uma das técnicas de enfermagem, que optou por não se identificar, relatou que ainda não teve sua carteira assinada pela nova gestão e está recebendo remuneração abaixo do piso da categoria. Segundo dados apresentados pela profissional, seu rendimento mensal caiu de R$ 3.876,52, em julho de 2025, para R$ 2.267,21 no atual período, representando uma redução salarial de quase 42%.

“Nós estamos nesta situação desde janeiro, mas as condições se agravaram mesmo desde sábado. Eu já recebi de alguns colegas de outras unidades que o salário já diminuiu drasticamente. Juntando isso com a falta de trabalhadores, acabamos ficando numa situação de muita vulnerabilidade”, protesta a servidora.

Além da precarização operacional, o Sindisaúde-RS encontrou barreiras ao exercer sua função fiscalizadora. Nas Unidades de Saúde São José Eliane Paim e Morro Santana, as coordenações impediram o acesso dos diretores do sindicato e o diálogo com os trabalhadores, alegando que qualquer visita técnica precisaria de autorização prévia da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

“Nós estamos recebendo várias denúncias, mas infelizmente estamos sendo impedidos de entrar e dialogar com os trabalhadores. Isso nos deixa perplexos, pois qual a razão de estarem impedindo que o sindicato faça o seu trabalho? Se não tem nada de errado, deixem-nos dialogar com a categoria para entender o que está havendo’, reitera o diretor de formação do Sindisaúde, Emerson Tombini. 

Audiência Pública pela Saúde Primária

O sindicato, em conjunto com o deputado Leonel Radde e a Comissão de Segurança, Serviços Públicos e Modernização do Estado (CSSPME), realizará uma Audiência Pública no Plenarinho da Assembleia Legislativa do RS (3º andar) para avaliar as condições atuais de trabalho e os impactos das terceirizações na assistência à população. O evento ocorre nesta terça-feira, 07 de julho, às 18h.

A presença da categoria é fundamental para fortalecer a luta contra o sucateamento do setor.

Texto e imagens: Samuel de Souza